Educação, Corpo e Movimento.

As reflexões escritas por duas ex-alunas minhas dizem tudo:

“Quando iniciamos as aulas do curso, lembro-me que minhas expectativas estavam voltadas para conteúdos teóricos. Bastaram três aulas para que eu entendesse que, quando o assunto é movimento, não há teoria mais rica do que ´viver o movimento´. Eis um aprendizado que livro nenhum pode ensinar.” (LOMBARDI, 2011, p.111)

“As vivências com a linguagem corporal me fizeram pensar como vivemos em uma sociedade que privilegia uma forma de comunicação em detrimento de outras. A linguagem verbal é extremamente desenvolvida enquanto outras linguagens às vezes sequer são consideradas.” (LOMBARDI, 2011, p.115)

LOMBARDI, Lucia Maria Salgado dos Santos. Formação corporal de professoras de bebês: contribuições da Pedagogia do Teatro. 2011. Tese (Doutorado em Educação), Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-21072011-103922/es.php

Oficina de Movimento. 5º perfil. 16/Março/2012

4 respostas em “Educação, Corpo e Movimento.

  1. Esse post me faz pensar que para todo tipo de aula – mesmo de escrita – outros formatos de sala de aula são interessantes, e talvez capazes de gerar outro tipo de resposta dos alunos. Sem dúvida, é preciso arriscar!

    • Concordo Antonio. Afinal, lembrando Foucault, na escola existem técnicas essenciais e minuciosas que definem uma microfísica do poder, tais como as filas. Filas não apensas nos corredores, mas nas classes, na forma de organização do espaço. O enfileiramento não é algo somente espacial. Quando enfileiramos os alunos, instituímos um jogo de valores e de poder. Essas velhas heranças a que somos submetidos na escola, consideradas pormenores, e que irrefletidamente reproduzimos com nossos alunos, prolongam o rigor da grande disciplina que enquadra o sujeito. Recordo o mesmo Foucault que diz que “a disciplina é uma anatomia política do detalhe” e todo detalhe é importante. Na tradição do detalhe se localizam todas as meticulosidades da pedagogia escolar, procurando levar a comportamentos humanos estabelecidos e homogêneos. É engraçado de ver que não só os alunos se acostumam a sentar enfileirados, como escolhem um único lugar e sempre voltam a se sentar naquele ponto da sala.

      Não sei se você vai lembrar quando recebemos em 1992 a visita do Klauss Vianna, a convite da Jura Hagen, para conversar conosco na aula de Expressão Corporal IV. Ele falou sobre isso e nos sugeriu que procurássemos sempre mudar de lugar, por onde passamos, onde comemos, onde sentamos e até dormimos, pois a ação física está ligada a outros aspectos da nossa estrutura, inclusive a nossas ideias. Lembra?

      Eu sou a favor de mudar os espaços físicos para favorecer novas formas de pensar. Claro que isso é só um “detalhe”!

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